sábado, 22 de março de 2008

Preparação para exposições

Cada criador tem a sua maneira de preparar os seus canários para as exposições. Eu não fujo á regra, é evidente que se tivesse um anexo independente do canaril, só para preparar os meus canários para as exposições, alteraria alguns procedimentos. Mas como crio numa garagem, e o espaço é limitado, as gaiolas são as mesmas para criar, fazer a muda e também para os preparar para as exposições. Não é fácil fazer campeões com estas condições, mas cada um tem de se adaptar ao seu meio, fazendo o que pensa ser o melhor para os seus canários. O meu canaril é voltado a norte, tendo a luz natural quase nula, sendo á partida 2 factores negativos para a criação, tornam-se positivos na época da muda (quanto menos luz melhor para evitar picagens, e com uma temperatura constante). Normalmente crio com 80 fêmeas, só tenho 40 viveiros de criação, preparados para se transformarem em 20 pequenas voadeiras ou em 80 gaiolas de exposição, dependendo da época do ano. Além dos viveiros tenho 24 voadeiras de 120x50x50,divididas ao meio posso transforma-las em 48 viveiros na época da reprodução. É evidente que se pudesse teria um espaço para a criação, outro para a muda e mais um para a preparação para as exposições. Tanta conversa, só para dizer que todos temos condições para tirar bons canários para exposições. Assim que saem do ninho, já há alguns filhotes que se destacam, e talvez a estes devemos á partida dar um pouco mais de atenção, (logo aqui podemos separar aqueles que á prior pensamos que sejam os melhores). Durante a muda, tenho os machos separados das fêmeas, além de os ter divido por raças, para evitar picagens. Depois de acabar a muda, em primeiro lugar, faço uma selecção, vou tirando das voadeiras aqueles que eu entendo serem os que estão em melhores condições para levar a exposições, que entretanto já os tinha mais ou menos separado, por raças e qualidade ainda nas voadeiras (meto entre 10 e 15 canários em cada voadeira). Para escolhe-los junto os melhores de cada raça numa gaiola, bem iluminada para que os possa observar com boas condições. O meu critério de escolha é simples: forma, tamanho, lipocromo, e no meu caso também o mosaico e as melaninas, Conforme vou escolhendo, vou metendo um em cada metade de viveiro, (os meus têm 64 cm, divididos fico com 32 cm), devem estar em gaiolas de exposição uns 45 dias antes da exposição, deve-se continuar a administrar corante, pelo menos dia sim dia não. Eu dou todos os dias até á última exposição da época. Quem não se sentir em condições de escolher os seus canários, deve chamar um amigo de confiança, que o possa ajudar a aconselhar, dando-lhe entretanto umas dicas para uma sua futura escolha. Na nossa escolha temos de ter em consideração as penas das asas e do rabo, arrancando aquelas que estejam partidas, para que nasçam novas, penas estas que levam normalmente uns 35 dias até crescerem completamente. Se tiverem gaiolas de exposição tanto melhor. Durante a muda é fundamental colocar banheiras, se possível todos os dias. Continuo a colocar banheiras em cada gaiola, há até dias que troco a água duas vezes, não ponho nada na água, eles preferem água limpa, apenas uma vez por semana misturo um pouco de shampoo de ph neutro(alguns perdem a vontade de ir ao banho). Uns 4 ou 5 dias antes de cada exposição devemos retirar as banheiras, para a plumagem assentar e secar completamente. A alimentação tem de ser equilibrada, evitando o excesso de sementes gordas, que lhes podem causar obesidade, eu dou apenas alpista e misturo semente de germinar á papa, adicionando um pouco de corante, ( cantaxantina, beta-caroteno e carophyll),convém adicionar também uns próbioticos, que ajudem a assimilação e a atenuar o efeito do corante no fígado.(normalmente dou uma carteira por dia de UL-250, adquiro em qualquer farmácia, há n deles á escolha) Na escolha dos canários para a exposição, devemos ter em consideração os seguintes aspectos: Nas melaninas deve valorizar-se o seu desenho nas diferentes zonas do corpo (cabeça, dorso, flancos e peito), tendo atenção ao tipo, categoria e sexo do canário. Teremos que ter em conta a pigmentação do bico, patas, dedos e unhas. Ter em consideração a oxidação das melaninas, á sua cor, desenho e contraste, assim como á presença da feomelanina e ao factor óptico de refracção. A plumagem deve de estar completamente uniforme, brilhante e pegada ao corpo. A muda deve de estar completamente terminada. A qualidade e limpeza das penas dão um sinal saudável ao canário. A intensidade e a luminosidade do lipocromo deve estar repartido por todo o corpo, não devendo haver manchas de diferentes tons. O tamanho óptimo é de 14cm, medidos da ponta do bico até a extremidade da cauda. (pode ser penalizado a partir de 1cm a mais ou a menos). A forma deve ser proporcional com o tamanho, tudo deve estar em harmonia, tendo em atenção á cabeça, ao bico, ao dorso, ao peito, ás asas, á cauda e ás patas (devem ter todos os dedos, não apresentar escamas e não ter as unhas muito grandes. È bastante importante a posição que o canário apresenta na gaiola, devendo estar calmo, sem bater excessivamente as asas, deve andar no poleiro sem estar apático (manso na altura do julgamento). Não nos podemos esquecer das anilhas, apenas uma, e com o stam do criador. O transporte dos canários para o concurso também é importante, devemos ter gaiolas próprias, não esquecendo de colocar um bom absorvente no fundo. Para quem não tem ainda um nível de conhecimentos suficientes para escolher os melhores exemplares para expor, é normalmente mais fácil obter um prémio por equipas. Para concorrer com equipas, convém criar com vários casais da mesma raça, escolhendo aqueles mais parecidos, tendo em conta a harmonia. Por norma escolho 5, e no dia de levá-los, escolho os 4 que estejam em melhores condições físicas.
Boa Sorte

Carlos Faisca

1 comentário:

moranguito_Edu disse...

Boas;
Passei por aqui para lhe dar os meus parabens por este excelente Blogue.
Se quiser dar um satinho ao meu esteja á vontade.

Cumprimentos