quarta-feira, 30 de março de 2011

"CONSANGUINIDADE!!!"

Tenho reparado que ultimamente muito se tem falado sobre este tema"CONSANGUINIDADE", e cada criador tem a sua ideia, e a sua maneira de ver esta situação, assim como diferentes maneiras de proceder á sua pratica.
Eu não fujo á regra, embora não goste muito de falar sobre este tema.
Para começar quero dizer que há 2 tipos de acasalamentos consanguíneos.
Aqui ficam os dois processos: o INBREEDING e o LINE-BREEDING.

INBREEDING - onde os acasalamentos são feitos entre parentes próximos por exemplo, pai x filha, mãe x filho, meio-irmão x meio-irmão, avô x neta, neto x avo, etc...
Do qual eu não sou apologista de praticar.(cada criador tem a sua opinião, e eu respeito todas as opiniões, e estou sempre disponível a mudar de ideias)

LINE-BREEDING - onde os acasalamentos são feitos entre parentescos mais afastados.
Tipo acasalamentos entre primos irmãos, tios e sobrinhos, que é o tipo de acasalamento consanguinio que eu utilizo há bastantes anos, o outro tipo, só por engano nalgum registo. E mesmo assim, faço-o sem abusar, não costumo fazer anos seguidos, para não estreitar mais ainda a consanguinidade, podendo vir a ter problemas futuros. Se forem há 20 anos verificar as exposições que eu participei, quase todas as minhas raças(excepto os phaeos), já nessa altura as criava, como tal tenho tido sorte nos meus acasalamentos.

Não gosto de utilizar o INBREEDING, porque uma vez sem querer acasalei pai X filha, e é certo que me apareceram exemplares normais e saudáveis, mas também apareciam outros com problemas, que os tinha de matar depois de terem um mês ou mais de nascidos, porque antes disso, não nos conseguimos aperceber do problema.
Não notei melhorias significativas nos filhotes, como tal não o faço.

No meu entender utilizar consanguinidade, pode-nos trazer vantagens no caso de formal um plantel mais homogéneo e equilibrado, para firmar características excelentes mas também nos pode estragar anos de trabalho numa determinada raça.
Como tal prefiro não arriscar, e o que é certo é que ate agora não me tenho dado mal.

Se já temos problemas no nosso plantel, se continuarmos a fazer acasalamentos consanguinios, então vamos pior ainda mais certas caracteristicas dos filhotes, como é o caso do tamanho, vitalidade e fertilidade, muito importante para quem quer continuar a ter um plantel saudável.
Depois quando se fala em fazer cruzamentos consanguinios, só se devem fazer entre canários já de um nível acima da media, penso não valer a pena praticar este tipo de acasalamentos com qualquer exemplar.
Os criadores por norma fazem o que ouvem dizer, e dão aquilo que o outro diz que dá, ou que deu, mas por vezes o tratamento que o criador x se deu bem, não quer dizer que seja o mesmo que o criador Y deve dar.
Só não percebo é como é que há criadores que opinam sobre determinados assuntos, sem nunca os terem praticado.

Eu levei anos a comprar o mínimo possível de canários, excepto quando iniciava uma nova raça, aqui era obrigado a comprar, e só começo uma nova raça com 3 machos e 4 ou 5 fêmeas no mínimo, senão não começo. Por isso eu aconselhar o mesmo aos outros criadores. Mas cada um sabe de si, o maior problema é o dinheiro que temos de despender, mas se fizerem como eu digo apenas o fazem no 1ºano, porque se souberem criar, e tiverem sorte, tem uma raça para continuar.
Meus amigos, penso ser preferível ter apenas uma raça, com 3, 4, ou 5 bons casais, do que ter 20 ou 30 casais de raças diferentes e de pouca qualidade.

Embora goste de várias raças melânicas, tenho optado por reduzir cada vez mais a quantidade das minhas raças, aumentando o nºde casais de cada uma delas, para assim poder trabalhar melhor, na formação de uma linha propria de uma determinada raça.
Sempre comprei apenas alguns machos para introduzir no meu plantel, mas há dois anos fui visitar a exposição Internacional de Reggio Emilia, e excedi-me e comprei mais canários do que devia, e isso trouxe-me algumas vantagens em certas raças, mas também "alguns problemas"....como tal vou voltar a trabalhar como sempre tenho feito ate aqui. Este ano adquiri 2 machos para o meu plantel.

Eu quando compro um macho, por norma tenho de ver nele qualidades que podem melhorar o meu plantel, senão não compro, normalmente compro sempre dois machos da mesma raça, e se possível ao mesmo criador, o que nem sempre por vezes é possível. Quase nunca consigo comprar o macho que me faz falta, mas é quase sempre assim. Há vários anos que tento comprar um macho castanho pastel vermelho mosaico que me agrade para introduzir no meu plantel, mas ate agora ainda não consegui fazê-lo....

No primeiro ano utilizo o macho adquirido com duas ou três, das melhores fêmeas do meu plantel. No ano seguinte vou acasalar os filhos que me "agradarem" desse macho, com outros filhos dos meu melhores exemplares. Já me tem acontecido comprar um canários e não ficar com nenhum filho dele em minha casa, ate mais do que uma vez.
E também já me tem acontecido comprar um macho, e depois de chegar a casa, e de comparar com os meus, vende-lo novamente, sem sequer o jogar á criação.

2 comentários:

armmoreira disse...

Gosto de ler os seus artigos técnicos.

Linguagem simples, mas que contém o essencial.

Parabéns e obrigado por partilhar as suas ideias com os leitores deste blogue. ;-)

Carlos Faisca disse...

Boa noite srªArmando

Nao os considero artigos!escrevo apenas o que me vem a cabeça, mais ou menos tento escrever o que me vai acontecendo no meu dia a dia como criador deste hobbie, e nada mais do que isso(sei que por vezes falo demais, por vezes mais do que devia!!!mas e defeito da peça, nao ha nada a fazer).

E evidente, que muita coisa fica para contar, mas quem tiver atento, talvez aprenda algo comigo, assim como eu estou sempre a aprender.
e parece-me que quanto mais aprendo, menos sei!!!!e sempre assim, quanto melhor queremos fazer, pior nos sai. Temos de deixar as coisas seguirem naturalmente, sem muitas invençoes.
Fico contente por poder ajudar em algo, mesmo que seja um pequeno pormenor, por vezes ja ajuda bastante, principalmente a quem esta a se iniciar.

um abraço

Carlos Faisca